Património & história

O Bairro Novo de Benfica desenvolveu-se num território ligado à assistência, à vida religiosa e ao espaço público. A sua história pode ser lida em locais como o Convento de Santo António da Convalescença, o Chafariz das Águas Boas e a antiga Casa de Saúde Portugal-Brasil — hoje Hospital da Cruz Vermelha — que ajudam a compreender a evolução urbana e social da zona ao longo do tempo.

História do bairro

Antes de ser bairro, esta zona era sobretudo rural. O terreno era acidentado, marcado por caminhos, moinhos, pequenas propriedades e uma paisagem aberta, com boa exposição solar, ar considerado puro e vistas amplas sobre a encosta de Monsanto. Não era ainda cidade, mas já estava suficientemente próxima de Lisboa para beneficiar da sua centralidade, mantendo ao mesmo tempo um afastamento que lhe conferia tranquilidade e qualidade ambiental.

É neste contexto que, no início do século XX, se instala a Casa de Saúde Portugal-Brasil. A escolha do local não foi casual. Tratava-se de um sítio calmo e saudável, afastado do centro urbano, mas bem ligado à capital e inserido num país europeu onde se falava português. A língua tinha aqui um papel determinante: permitia que pessoas abastadas vindas do Brasil e de outros pontos do mundo lusófono encontrassem, na Europa, um lugar de recuperação onde a comunicação, os cuidados médicos e o quotidiano lhes eram familiares, funcionando como ponte entre continentes num tempo em que isso era decisivo.

Cartografia do bairro em 1911

A presença desta casa de saúde antecede claramente a urbanização do bairro. O equipamento instala-se num território ainda pouco construído e torna-se uma referência fixa num espaço em transformação lenta. A sua implantação contribui para valorizar a área envolvente, atraindo interesse e criando condições para que, gradualmente, outras construções se aproximem e se organizem à sua volta.

O desenho do bairro

Em 1928, a Câmara Municipal de Lisboa aprova o ante-projecto de novos arruamentos entre a Estrada de Benfica, a Travessa dos Soeiros, o Caminho dos Moinhos e a Rua Duarte Galvão. A documentação é clara ao identificar um crescimento desordenado, feito de arruamentos particulares e soluções pontuais, e a necessidade de um plano que organizasse a circulação, os lotes e as infraestruturas daquela zona da cidade.

O traçado proposto afasta-se da grelha geométrica tradicional e adapta-se à topografia inclinada do terreno. As ruas desenham curvas, acompanham a encosta e evitam escadarias sempre que possível, privilegiando rampas e ligações contínuas. Esta opção não é estética, mas funcional: facilitar a circulação, tornar a construção viável e responder às condições naturais do lugar. O plano prevê uma avenida de entrada ampla, ligada diretamente à Estrada de Benfica, funcionando como porta de acesso ao novo bairro, bem como quarteirões dimensionados para permitir edifícios e logradouros com espaço, com preocupações claras ao nível do saneamento, dos pavimentos e da ventilação urbana.

Anteprojecto de 1928

O bairro começa assim a ganhar forma, crescendo à volta de uma estrutura pré-existente — a casa de saúde — e não o contrário. Ao longo das décadas seguintes, a função mantém-se, mesmo quando os edifícios se transformam. A Casa de Saúde Portugal-Brasil dá lugar à Casa de Saúde da Cruz Vermelha e, mais tarde, ao Hospital da Cruz Vermelha. A continuidade do uso reforça a identidade do lugar e ajuda a explicar a consolidação do bairro em seu redor.

Um bairro que se constrói no tempo

Em 1968, o internamento de António de Oliveira Salazar no Hospital da Cruz Vermelha projeta esta instituição — e, indiretamente, o bairro — para o centro da atenção nacional. Durante semanas, o país acompanha o estado de saúde do Presidente do Conselho, num episódio que marca a memória coletiva e fixa definitivamente o hospital como uma referência da cidade.

Cartografia do bairro em 1970

O Bairro Novo de Benfica resulta, assim, da sobreposição de tempos: a ruralidade inicial, a instalação precoce de uma casa de saúde ligada ao mundo lusófono, o planeamento urbano dos anos 1920 e o crescimento contínuo de Lisboa. Mais do que um bairro planeado de uma só vez, é um território que se construiu por aproximação, organizando-se à volta de uma função clara e contínua — o cuidado da saúde — e adaptando-se, ao longo do tempo, às necessidades da cidade e de quem a habita.

Hoje, o Bairro Novo de Benfica é o resultado visível dessa construção lenta: um bairro que nasceu antes de ser desenhado, que cresceu à volta de um equipamento central e que sempre viveu da relação entre quem cuida e quem habita. A plataforma do Bairro Novo de Benfica surge nessa continuidade. Não como rutura, mas como mais uma camada: um espaço de articulação entre moradores, território e cidade, atento à história que moldou o bairro e às decisões que o continuam a transformar. Tal como o bairro se organizou, ao longo do tempo, em torno de uma comunidade concreta, também esta plataforma procura dar forma a uma voz coletiva — informada, próxima e ligada ao lugar onde existe.

Google Maps em 2026

Sobre a plataforma

A Plataforma de Moradores do Bairro Novo de Benfica nasce da vontade de reforçar a união entre moradores e de criar uma voz coletiva que represente o bairro junto da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica.

Pretendemos promover o diálogo, identificar problemas, valorizar o que já existe de bom e contribuir ativamente para a melhoria da qualidade de vida no nosso bairro.

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